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A MAÇONARIA
Escrever
sobre ou falar de Maçonaria nunca e uma tarefa simples, não só por despertar um certo
sentimento de desconfiança ainda latente no publico português (o velho e irracional
temor da obscura conspiração revolucionaria dos pedreiros-livres...), mas também pela
inacessibilidade geral das escassas fontes documentais disponíveis, pela parcialidade
tendenciosamente ideológica do discurso transmitido nas divulgações efectuadas e por um
certo temor ridículo de afectar a própria reputação. Trata-se, contudo, apenas de
mencionar a mais externa (e, porque não dizer, esotérica?) das sociedades iniciáticas
actualmente existentes. Mesmo assim, e apesar da nossa condição externa, atrevemo-nos à
ousadia, não temendo as consequentes opiniões alheias, independentemente da polaridade
oposta da natureza diferente dos respectivos conteúdos. Não só não se pretende
perfilhar nenhuma corrente de pensamento de intervenção social, como não se provêm
redigir nenhum tipo invulgar de ensaio historiografico que surpreenda, galvanize ou
perturbe o leitor. 
Compreender
a Historia, o percurso, a doutrina e a importância da influencia inegavelmente decisiva
da Maçonaria no devir civilizacional constitui efectivamente a primeira porta e
possibilidade de abordagem dos movimentos inimagináveis engrenagens (que mais não são
que puras exteriorizações de realidades ainda mais essenciais e hierarquicamente
superiores) dos bastidores deste fascinante processo indescritível de iniciação
evolutiva e pedagogicamente colectiva da Raça Humana que é a própria Vida. 
Maçonaria
é um esquema simbólico através de cuja linguagem, uma vez gradualmente compreendida,
certos conhecimentos se vão obtendo, que fariam pasmar os magons regulares, ainda os de
alto grau ou categoria.
Por:
Fernando Pessoa
Procurando
assim efectuar uma síntese histórico-evolutiva da presença maçónica em Portugal
(Hercúlea tarefa a que hoje já correspondem
ensaios portentosos cabalmente estruturados), o objectivo desta investigação consiste
única e simplesmente numa tentativa concreta e possível de articular os marcos
principais do desenvolvimento cronológico da sua existência efectiva, quer através das
suas manifestações externas, quer pelos seus e organismos institucionais representativos
divulgando o tema junto do grande publico, pouco ou nada familiarizado com ele.
Desta
forma, cumpre desde já definir preliminarmente o assunto em causa: o que e a Maçonaria?
Pode dizer-se de uma forma simplista que se trata de uma fraternidade esotérica
internacional postulando uma via de evolução espiritualista não identificada com
nenhuma confissão religiosa; contudo radicando na tradição socio-profissional operativa
dos grémios e corporações arquitectónicas da Antiguidade, da Idade Media e do
Renascimento, expressa na evolução pedagógica iniciática gradual proposta por cada um
dos diversos ritos que a constituem ou sistemas litúrgico - doutrinais distintos
transmissores de uma reflexão simbólica geométrico - cavalheiresca, através da
dinâmica instrutiva desenvolvida e realizada nas lojas ou células de trabalho maçónico
agrupadas colectivamente em Obediências ou federações hierárquico - territoriais
administrativas.
Posto
isto, resta convidar o leitor a viajar através da evolução nacional deste universo
fascinante (microcosmos que espelha e representa um macrocosmos ainda mais excelso) que é
a Fraternidade Maçónica, egrégora ou família espiritual em demanda continua de um
ideal de Construção permanente do Cosmos e da Humanidade
Da operatividade à
especulatividade
Radicando
a génese da Maçonaria na tradição técnico-simbólica do oficio operativo da
construção, tão escassamente documentada e mal conhecido, o contexto português tem
sido quase nada investigado comparativamente ao internacional.
Um tal esforço epistemológico implicaria a investigação transdisciplinar profunda e
demorada no âmbito académico conjunto da Historia e da Historia da Arte de inumeráveis
acervos documentais datados entre os séculos XII e XVIII e espalhados por variadíssimos
arquivos públicos e privados de norte a sul do Pais, debruçando-se concretamente sobre
as relações estatutárias das corporações socioprofissionais, mesteres de ofícios
mecânicos e companhas de pedreiros e escultores
Contudo, é perfeitamente possível referir alguns elementos disponíveis sobre esta
questão concreta, aludindo com clareza elucidativa à presença maçónica operativa em
território português. Com efeito, historiadores como Cristóvão Aires, Alexandre
Herculano, Miguel António Dias, Timoléon François Bégue (Clavel), o conde Athanasius
Raczynsky e Raúl Rêgo mencionam a vinculação do arquitecto irlandês David Huguet
que coordenou em determinada fase a construção do Mosteiro da Batalha, no século
XIV à Grande Loja de Iorque em Inglaterra, referindo a Maçonaria medieval como
resultante do contacto espiritual e cultural entre arquitectos muçulmanos e cristãos por
toda a Europa medieval. Por um lado, confirma-se a participação portuguesa neste
contexto itinerante medieval da Maçonaria operativa europeia a capela gótica
quinhentista privativa da família aristocrática escocesa Saint-Clair of Rosslyn
(próximo de Edimburgo), grão-mestres hereditários nacionais da Escócia entre os
séculos XV e XVIII por privilegio real, ainda hoje se designa significativamente por Capela dos Portugueses, assim como, por outro,
pelos enunciados atrás efectuados, se conhece que os detentores da gnose construtiva não
eram exclusivamente plebeus; veja-se o caso exemplificativo do monge cisterciense francês
Roberto, referido como arquitecto e autor tradicional da planta da igreja do Mosteiro de
Alcobaça, enviado a Portugal por S. Bernardo de Claraval, abade geral da Ordem de Cister,
com o objectivo de supervisão técnico-logística.
Ainda
que se desconheça a data precisa da constituição das corporações mesteirais de
ofícios em Portugal (embora tão ou mais antiga que a própria fundação da
Nacionalidade), em Lisboa surge. em Dezembro de l383, uma instituição confederante
destas, de representação consultiva junto da autarquia da capital, a Casa dos Vinte
quatro (constituída por dois representantes de cada um dos doze ofícios oficialmente
representados), extinta com a consolidação política do liberalismo socioeconomico em
1834.
Com
efeito, este organismo terá preservado a integridade da idiossincrasia operativa dos
mestres agregados, tal como a sua hierarquia
administrativa se apresenta paralelamente analógica à
tecnologia da escala iniciática da primeira estrutura maçónica especulativa portuguesa
a Casa Real dos Pedreiros-livres da Lusitânia, à qual pertenceram alguns maçons
operativos, entre os quais o arquitecto húngaro Carlos Mardel, responsável pela
reedificarão da Baixa Pombalina após o terramoto destrutivo de 1755.
No
entanto, e apesar da proliferação e multiplicação de sociedades maçónicas operativas
portuguesas, particularmente ao longo dos séculos XVII e XVIII, o processo de
especulativização filosófica e iniciática em Portugal, como em todo o mundo, não foi
directo, antes descontinuo devido à implantação nacional das primeiras lojas
especulativas, na primeira metade do século XVlll, de raiz inglesa e protestantes
portanto culturalmente estranha a Portugal, nunca se relacionando directamente com a
tradição operativa dos países de acolhimento, ainda que tenha eventualmente absorvido
em parte algum contributo dessas corporações operativas moribundas (embora separando na
pratica a componente técnico - académica da arquitectura, remetida a exclusividade
pedagógica. do ensino superior elitista).
As primeiras lojas:
Ingleses e Franceses

Esta
loja designada pelos maçons católicos irlandeses como a loja dos mercadores
hereges era essencialmente composta de
empresários ingleses anglicanos e escoceses presbiterianos nos, sobrevivendo apenas ate
1755, aquando da destruição maciça de Lisboa pelo terramoto de 1 de Novembro,
eventualmente também devido a problemas logístico - funcionais de ausência de quórum
mínimo para o funcionamento, o que lhe retirou o apoio e o reconhecimento maçónico de
Londres, já que muito difícil e raramente admitiria candidatos não - britânicos no
seio do seu comunitarismo etnoculural fortemente concentrado.
Por
outro lado, uma outra loja existia a já mencionada
Casa Real dos pedreiros-livres da Lusitânia
estritamente integrada por clérigos regulares dominicanos, militares
e empresários católicos irlandeses (além do engenheiro militar húngaro Carlos Mardel,
interveniente directo na planificação urbanístico - volumétrica da reconstrução
pombalina de Lisboa, posteriormente ao terramoto de 1755), reunindo mensalmente num
restaurante junto ao Cais do Sodre, reflectindo sobre temas instrutivos, recreativos e
económicos nos graus de aprendiz, companheiro, mestre, mestre excelente e grão-mestre (
sendo este último um cargo eleito anualmente no dia 24 de Junho, comemorativo de S. João
Baptista, patrono da fundação da Maçonaria especulativa).
Após a proclamação da bula papal In Eminenti,
de Clemente XII. em 24 de Abril de 1738, excomungando todos os católicos pertencentes a
quaisquer sociedades secretas externas a autoridade espiritual da Igreja Romana, a
Inquisição portuguesa investiu fortemente contra as lojas maçónicas, nomeada- mente as
protestantes, já que a Casa Real se extinguiu obedientemente naquele mesmo ano. O
estrangeirismo não latino da ) Maçonaria culturalmente britânica instalada em Lisboa
foi então considerado potencialmente ateu e subversivo pelas autoridades políticas e
religiosas portuguesas, que procuravam fortemente reprimir o seu ecumenismo fraterno.
Posteriormente, em 1743, o lapidário de diamantes calvinista suíço Jean Coustos,
venerável mestre ou chefe de uma loja francesa não registada (ainda que naturalizado
inglês pelo casamento), e preso pela Inquisição e subsequentemente libertado de um
encarceramento torturante, sujeição a inquéritos e uma sentença de quatro anos ás
galés através dos pedidos diplomáticos do rei Jorge II de Inglaterra junto do rei D.
João V de Portugal, sob as influencias do embaixador inglês lorde Charles Crompton e do
primeiro - ministro duque de Newcastle, para além dos esforços maçónicos do duque de
Harrington. No regresso a Londres, em 1746, Coustos publica um relatório autobiográfico
da sua prisão e torturas, onde exprime a sua gratidão ao monarca inglês e aos
aristocratas seus intercessores, além de exaltar o excelente trabalho das lojas de
Lisboa.
A loja a Cousto pertencia
integrava quase exclusivamente cidadãos franceses (denunciando assim a sua natureza
étnico-colonial) como os lapidários Alexandre Jacques Mouton e Jean Thomas Brusle
com maior diversidade religiosa que as anteriores, tendo sido alvo em 1744 do
primeiro auto-de-fé e inquisitorial realizado em Portugal, com a condenação torturante
publica de maçons. Apesar de Coustos ter procurado intervir tolerantemente como agente
missionário da Maçonaria protestante pró-inglesa, as lojas portuguesas futuras serão
lógica e fundamentalmente compostas de nacionais católicos quer pela brevidade do
proselitismo efectuado, quer pela idiossincrasia sociológica do nosso país
Do Pombalismo à Viradeira:
continuidade e perseguição
Sucedendo
o rei D. José I ao seu pai, D. Joio V, o primeiro-ministro, Sebastião José de Carvalho
e Melo, posteriormente conde de Oleiras e marquês de Pombal, protegeu as lojas
maçónicas em Portugal face às penalidades inquisitoriais e submeteu o clero católico -
romano à autoridade da Coroa, tendo provavelmente ele próprio sido iniciado em Londres,
em 1744, pelo príncipe de Gales, Frederico Luís, e admitido na Sociedade Real,
agremiação cientifica mundialmente famosa, de origem e filiação maçónicas. Assim,
reflectindo as doutrinas iluministas do despotismo esclarecido quanto ao primado do
Estado, do esclarecimento cientifico e da tolerância social, Pombal submete a Companhia
de Jesus ao controle da Coroa e transforma a Inquisição num instrumento político.
Entretanto,
assim como diversos diplomatas, intelectuais, aristocratas, docentes, industriais,
comerciantes e clérigos eram iniciados, quer em Portugal, quer em Inglaterra, a colónia
britânica em Lisboa fundou em 1755 uma nova loja étnica não registada, existente até
1762) e algumas lojas militares inglesas surgiram no Norte do Pais, devido a forte
implantação britânica no comercio monopolista português do vinho do Porto durante as
Guerras da Independência com Espanha em 1762. É neste período que a Coroa contrata o
general alemão conde Frederico Guilherme Ernesto de Schaumburg-Lippe para coordenar e
instruir as tropas portuguesas, sendo também um dos grandes responsáveis pela
implantação entusiasta da Maçonaria no exercito.
Na
cidade do Funchal, na ilha da Madeira, uma outra loja maçónica de mercadores ingleses
foi fundada em 1767, sendo pesadamente perseguida pelo governo local e acusada em 1770 de
liberalismo e heresia, provocando diversos exílios temerosos para Londres.
Após a
morte do rei D. José, em 1777, e a sucessão de sua filha, D. Maria I, o marquês de
Pombal e os seus despotismo iluminista e
proteccionismo maçónico são afastados, e Diogo Inácio de Pina Manique torna-se
intendente geral da Policia do Reino em 1780, penalizando especialmente a Maçonaria,
readquirindo a Inquisição a sua plana autonomia anterior. A presença simultânea de
mercadores, refugiados e militares inglesas conduziu ao estabelecimento de lojas
maçónicas dentro dos regimentos de tropas auxiliares e subsequentemente registadas pela
Grande Loja Antiga de Inglaterra. Devido ao endurecimento da vigilância policial,
diversos viajantes, particularmente ingleses, assistiram a muitas reuniões clandestinas
de lojas a bordo de navios estrangeiros ancorados no porto de Lisboa.
Adicionalmente,
algumas detenções policiais de maçons ingleses com as suas famílias no castelo de S.
Jorge causaram uma solicitação bem sucedida da Grande Loja de Inglaterra ao príncipe D.
João (futuro rei D. João VI), regente da Coroa durante a loucura da rainha sua mãe. Foi
a este retrocesso de reaccionarismo conservador, aliado à queda da burguesia pombalina,
em substituição da antiga aristocracia de sangue, que se convencionou designar
Viradeira.
Em
consequência da irrupção de diversas revoluções liberais europeias (nomeadamente a
francesa) e americanas no final do século XVIII, a burguesia capitalista portuguesa
aproxima o seu eixo civilizacional rumo a França, lutando contra o absolutismo
monárquico e lentamente substituindo as referencias culturais britânicas. Tal processo,
iniciando uma nova conjuntura, teve os seus efeitos maçónicos, dado que a Grande loja de
Inglaterra apenas registava lojas nativas no estrangeiro, impedindo a iniciação de
cidadãos portugueses e de estrangeiros de outras nacionalidades.
No
entanto, a constituição de novas lojas inglesas pelos súbditos britânicos Gordon, em
1798, e Burdwood, em 1803, a reunião maçónica anglo-tranco-portuguesa de compromisso
realizada em 1797 a bordo da fragata Fénix, ancorada no rio Tejo (na qual foi
fundada a primeira loja territorial nativa), e a contribuição decisiva do duque de
Sussex, Augusto Frederico (filho do rei Jorge lll de Inglaterra e futuro primeiro
grão-mestre da Grande Loja Unida de Inglaterra em 1813, que residiu em Portugal entre
1801 e 1805 num semi-exílio), para a independência maçónica portuguesa foram os
últimos actos do imperialismo maçónico britânico fundador (que abandonou Portugal
através da partida dos regimentos militares ingleses, sucedido pela chegada de
monárquicos franceses exilados e de tropas militares relacionadas com o Grande Oriente de
Franca.
Obediências e Potências:
génese, diversidade e unificação

Entretanto,
em Maio de 1802, o reconhecimento oficial da independência do Grande Oriente Lusitano
pela Grande Loja Antiga de Inglaterra Obediência maçónica inglesa existente entre 1751
e l813, dissidente face à Grande Loja de Inglaterra, fundada em 1717) e a sua própria
designação institucional transmitem a ligação cordial maçónica francesa em
verdadeira ambiguidade contraditaria com a nossa aliança diplomática com a Inglaterra.
Tais
rivalidades existentes no próprio seio da Maçonaria portuguesa, recém nascida,
tornaram-se mais tarde expressas na implantação do Rito Francês ou Moderno de sete graus; na substituição dos exércitos
invasoras franceses dos generais maçons Junot, Soult e Massena, em 1807 1811
(devido à desobediência portuguesa face ao embargo comercial continental anti-Britânico
de Napoleão Bonaparte, e das suas lojas militares pela colonização inglesa do marechal
visconde William Carr Beresford e do general Lord Arthur Wellesley. duque de Wellington,
em 1808 1820, e suas equivalentes; na libertação de maçons portugueses sob a influencia
do duque de Sussex, após encarceramento e exílio decretado em Setembro de 1810 pelos
ocupantes franceses, como aliados de Inglaterra; no registo inglês, em 18l0. da Loja portuguesa de
Londres "Lusitânia" , composta de maçons portugueses exilados; e na execução
por enforcamento do general Gomes Freire de Andrade, grão-mestre do Grande Oriente
Lusitano, em 1817, como penalidade por conspiração contra a dominação militar
Britânica de Portugal.
Após
a revolução liberal de 1820 planeada por maçons congregados numa sociedade secreta
política, o Sinédrio), que aboliu o absolutismo monárquico em Portugal, a dominação
inglesa foi expulsa com a sua influencia maçónica e novos contactos apenas ocorreriam em
1828, quando a restauração do absolutismo com o rei D. Miguel I forçou diversos
maçons, liberais e intelectuais portugueses ao exílio em Inglaterra, onde fundaram em
Plymouth a loja Fidelidade nº 14 do Grande Oriente Lusitano. Desde 1820, as relações
diplomáticas entre as Maçonarias inglesa e portuguesa restringem-se estritamente a meros
contactos de cortesia. Com a consolidação do liberalismo após a capitulação e
subsequente expatriação do rei D. Miguel I na Convenção de Evoramonte, em l834, a
Maçonaria portuguesa vincula-se progressivamente mais à crescente politização da
sociedade civil, cada vez mais cindida em tendências ideológicas polarizadas.
Reflectindo assim perfeitamente o espectro político nacional, a Fraternidade maçónica
em Portugal decai de forma significativa ainda hoje (restringindo-se à mera defesa
ético-cívica dos ideais liberais e em função do seu passado clandestino), centrada
numa aparência filantrópico-moral que desfigurou a sua essência iniciático -
beneficente.
Assim, e ainda durante a guerra civil entre.
liberais e absolutistas, os exilados portugueses em Inglaterra (designados
"cartistas" ou adeptos da Carta
Constitucional da Monarquia portuguesa de l826, outorgada pelo rei D. Pedro IV, ele
próprio maçon) consideravam seu grão-mestre José da Silva Carvalho desde 1828,
ao passo que: os liberais emigrados em França nomearam João Carlos de Saldanha Oliveira
Daun), futuro duque de Saldanha (na linha condutora do vintismo quanto ao purismo
revolucionário de l820 e da Constituição de 1822.
Subsequentemente
à consolidação do liberalismo em 1834, afirmam-se estas tendências,
acrescentando-se-lhes a facção de Manuel da Silva Passos (Passos Manuel) no Porto
artífice do Setembrismo, movimento político que defendia em 1836 a restauração da
Constituição de 1836 a restauração da constituição de 1822, antecedendo o advento da
efémera Constituição de 1838, representando um compromisso entre o purismo daquela e a
moderação da Carta de 1826, designada por
Maçonaria do Norte, distinta da do Sul do duque de Saldanha, em Lisboa, e do Grande
Oriente do Rito Escocês de José da Silva Carvalho.
Posteriormente,
em 1849, o Grande Oriente lusitano cindiu-se em duas Obediências, graças aos conflitos
graves entre maçons cartistas ou cabralistas, adeptos do presidente do Conselho
Entretanto,
em 1849, as anteriormente referidas Maçonarias do Norte e do Sul fundem-se numa nova Obediência. a Confederação
Maçónica, surgindo uma outra em 1863, a Federação Maçónica. Subsequentemente, estas
fundem-se em 1867 no Grande Oriente Português, juntamente com o Grande Oriente de
Portugal e a Grande Loja Portuguesa.
Mais
tarde, em 1869, todas estas Obediências originam uma única, o Grande Oriente Lusitano
Unido até hoje expresso exteriormente pela personalidade jurídica da associação civil
Grémio Lusitano, paralelamente ao qual existem o Grande Oriente da Maçonaria Ecléctica
Lusitana, Obediência essencialmente iniciática distinta das demais políticas fundada em
1853 e absorvida cerca de l896, e o Oriente Irlandês, ou Grande Loja Provincial de
Portugal da Grande Loja da Irlanda, igualmente com cariz filantrópico-espiritualista e
afastado das suas homologas portuguesas politizadas.
fundado em Lisboa em 1838 e integrado em
1872.
Face a um
significativo e indesmentível incremento demográfico na Maçonaria portuguesa unificada,
sisões ocasionais de lojas ocorriam esporadicamente e sem grande expressão, bem como o
surgimento de novas Obediências reflectindo concretamente a pacificação geral no
liberalismo monárquico- -constitucional estabilizado.
Assim,
em 1882, uma cisão profunda ocorrida no seio do Rito Simbólico, sistema
litúrgico-maçónico constituído apenas pelos três primeiros graus aprendiz,
companheiro e mestre, alem de um grau suplementar sobre a mitologia arquitectónica do
Templo de Salomão, o Arco Real) gera em Lisboa a Grande Loja dos Antigos Mações Livres
e Aceites de Portugal, extinguindo-se em 1884 por absorção no Grande Oriente Lusitano
unido.
Em
1897, uma nova cisão lisboeta conduziu a retoma da designação Grande Oriente de Portugal, extinta em 1904 e
seguida da autonomização interna, entre 1894 e 1899, de um circulo do Grande Oriente
Lusitano Unido designado Grémio Escocês e
integrando algumas lojas particularmente activas na sociedade civil. Verificamos assim,
conclusivamente, que a evolução institucional da Maçonaria portuguesa ao longo de todo
o século XIX reflectiu com
evidencia a sua crescente politização profana, bem como a sua irreligiosidade visceral
progressiva (esta ultima mais definida desde o final da década de 1870 por influencia da
jacobinização ateia da Maçonaria francesa), conduzindo a inevitável partidarização
desintegrante de todos e quaisquer esforços conjuntos. Contudo, e em paralelo, há que
igualmente mencionar a existência de Potências independentes ou estruturas
institucionais administrantes de sistemas litúrgicos de graus maçónicos superiores,
constituindo diferentes prolongamentos ritualisticos de aperfeiçoamento iniciático dos
graus simbólicos universais de aprendiz, companheiro e mestre (colocados sob a tutela das
Obediências instituídas e existentes em cada território nacional. Assim, no final do
século XIX existiam lojas portuguesas simbólicas do Rito de Mênfis Misraim sob
jurisdição
espanhola
(surgido em França em consequência da descoberta politico-cultural contemporânea da
civilização e da tradição iniciática egípcias e extremo-oriental, subsequentemente a
divulgação litúrgico-doutrinal efectuada no final do século XVlII em Itália pelo
misterioso aristocrata conde Alessandro di Cagliostro (que terá então passado por
Lisboa, tentando fundar uma loja maçónica com aristocratas portugueses na sua
dependência, ao passo que, no inicio do século XIX, assistimos a introdução em
Portugal do Rito Adoniramita (criado no fim do século XVIII em França pelo barão de
Tschoudy e baseando-se na mitologia construtiva do Templo de Salomão) como primeiro
sistema litúrgico-maçónico superior português, seguindo-se-lhe os graus cavaleirescos
do Rito Francês ou Moderno igualmente surgido na mesma época sob o patrocínio oficial
do Grande Oriente de França) que se assumiu originalmente como único oficial e
praticado pelo então recém-fundado Grande Oriente Lusitano , posteriormente gerido
com autonomia pelo Soberano Grande Capítulo de Cavaleiros Rosa+Cruz de 1869 a 1935.
Ainda na primeira metade do
século XVIII, são praticados no seio das lojas inglesas estabelecidas em Portugal os
altos graus do Rito de Iorque (então surgidos nas Ilhas Britânicas e aludindo
explicitamente a mitologia arquitectónica da génese e funcionamento litúrgicos do
Templo de Salomão), geridos no século seguinte pelo Supremo Grande Capitulo da Suprema
Ordem do Santo Arco Real de Portugal, assim como nesta mesma época se introduz o Rito de
Adopção para funcionamento nas lojas
maçónicas femininas portuguesas (também de origem francesa setecentista e vigente até
à primeira metade do século XX) e regido superiormente por uma câmara litúrgica
independente. 
Contudo,
e posteriormente, entre 1840 e 1844, instala-se a totalidade dos altos graus do sistema
liturgico maçónico mais difundido em Portugal, mesmo na actualidade: o Rito Escocês
Antigo Aceite. Após a introdução dos correspondentes graus simbólicos em Lisboa, em
1837, com a Grande Loja Provincial de Portugal da Grande Loja da Irlanda e a adesão
entusiasta do Grande Oriente do Rito Escocês, esta Obediência e o Grande Oriente
Lusitano envidaram todos os esforços possíveis no sentido de receberem regularmente a
transmissão iniciática deste sistema a partir de Potências homologas tradicionais do
Brasil, neste rito designadas Supremos Conselhos dos Soberanos Grandes Inspectores Gerais
do 33º Grau do Rito Escocês Antigo e
Aceite. Os Supremos Conselhos portugueses deste rito fundado nos Estados Unidos da
América em 1801, com base na pretensa organização do rei Frederico II da Prússia de
síntese litúrgica da diversidade de altos graus arquitectónicos e cavaleirescos
vigentes
no Ocidente no fim do século XVlII radicam de certa forma no funcionamento
litúrgico em Lisboa de um antecessor directo, o Rito de Heredom e Kilwinning (originado
em França na mesma época, de origem mítica escocesa), de 25 graus, apenas durante
alguns anos ainda antes da fundação do Grande Oriente Lusitano, alem de também
corresponder, de certa forma, à pluralidade institucional de Obediências então
existente em Portugal.
Contudo,
a sua posterior fusão numa única Potência opera-se simultaneamente a fundação do
Grande Oriente Lusitano Unido em 1869, assumindo desde então até à actualidade uma
clara predominância efectiva sobre os restantes ritos, reflectida na junção onomástica
das duas designações institucionais: Grande Oriente Lusitano Unido Supremo
Conselho da Magoaria Portuguesa. A sua adopção oficial contribuiu também decisivamente
para o seu afastamento da esfera de influencia maçónica inglesa e do seu Rito de Iorque.
Da Republica a actualidade
A consolidação do liberalismo institucional, a
lenta ascensão do republicanismo e a degradação partidária do parlamentarismo
monárquico, bem como a disseminação do ideal jacobino de secularização e laicização
revolucionarias da sociedade portuguesa face ao Catolicismo Romano como religião oficial
do Estado, conduziram ao acentuar progressivo da politização da Maçonaria portuguesa ao
longo da segunda metade do século XIX, rumo à instauração da Republica em 1910.
Subsequentemente
a maçonização do próprio Estado republicano com a presença de maçons nos
governos e na administração publica, apesar da fragmentação múltipla e irremediável
do próprio Partido Republicano Português , verifica-se entre 1914 e 19a1 uma grave
cisão no seio do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite, de denuncia da
unificação de chefias com o Grande Oriente Lusitano Unido, constituindo uma Obediência
distinta, o Grémio Luso-Escocês, com cerca de 100 lojas subtraídas.
Por outro lado, posteriormente as perseguições
incentivadas pelos ex-maçons e presidentes da Republica major Sidónio Pais em 1918 e
general Carmona em 1928 contudo desde o golpe de Estado revolucionário de 28 de
Maio de 1926, que pôs termo a normalidade democrático-constitucional da Primeira
Republica e subsequente substituição pela ditadura militar que originaria o regime
político do Estado Novo, a promulgação da nova Constituição autoritária de 1933
prepara o advento da promulgação da Lei do Ministério da Justiça nº 1901, de 21 de ) Maio de 1935, coroando as
sucessivas vagas de atemorização e encarceramento de milhares de maçons com a
declaração obrigatória as autoridades publicas dos estatutos, regulamentos, membros,
corpos gerentes, objectivos, instalações e métodos de funcionamento das sociedades
secretas existentes em Portugal, especialmente vinculando os funcionários públicos com
um juramento particular, sob pena de demissão, além das determinações prévias de
prisão ou expulsão territorial Assim, apesar dos protestos do grão-mestre do Grande
Oriente
Lusitano Unido, general Norton de Matos, junto do ex-maçon Prof. José Alberto dos Reis,
presidente da então Assembleia Nacional, e da defesa jornalística da integridade
ético-maçónica pelo poeta Fernando Pessoa, a Maçonaria tornou-se oficialmente extinta
e o seu património confiscado pelo Estado. Apesar dos encarceramentos, das torturas e das
perseguições, as lojas prosseguem perigosamente as suas reuniões secretas e o seu
relacionamento diplomático internacional fragilizado, cooptando e aumentando com
lentidão seleccionada os seus contingentes, unificando-se, nova e temporariamente, por
necessidades estratégico-funcionais, as chefias do Grande Oriente Lusitano Unido e do
Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite o qual, por seu lado, absorveu as
competências institucionais de cada uma das outras Potências existentes, podendo
restaura-las em caso de liberalização politico-constitucional. A clandestinidade apenas
consolidou compreensivelmente ainda mais a politização ideologico-profana da Maçonaria
portuguesa, auto-exilada no seu ocultamento, em profundo envolvimento com a resistência
de oposição ao Estado Novo.
Paralelamente, as Obediências estrangeiras mais
tradicionalistas retiram o seu reconhecimento perante o envolvimento ideológico
progressivo do Grande Oriente Lusitano Unido até a interdição de l935. No sentido de
procurar readquirir estrategicamente o reconhecimento britânico perante um isolamento
internacional cada vez maior, imposto pela ditadura corporativa o Grande Oriente convoca
em 1941 em plena II Guerra Mundial uma reunião secreta das suas cúpulas e
proclama uma nova Constituição, marcada pela aceitação incondicional dos padrões de
regularidade institucional estabelecidos pela Grande Loja Unida de Inglaterra em 4 de
Setembro de 1929 e envia diversas mensagens alusivas para Londres e a todas as
Obediências americanas. Contudo, nenhum resultado positivo foi atingido, já que a
Maçonaria inglesa não reconhece oficialmente nenhuma Obediência que trabalhe
clandestinamente, sem a aceitação declarada do governo do respectivo pais. O Estado Novo
foi extinto pela Revolução Militar de 25 de Abril de l974, sendo a Maçonaria portuguesa
neste contexto identificada com o Grande Oriente Lusitano Unido oficialmente
liberalizada pelo artigo 18 da Lei nº 594/74,
de 7 de Novembro, pondo assim termo a longa e dolorosa clandestinidade persecutória de
quase 50 anos. O Grande Oriente readquiriu assim plenamente o seu património próprio e a
sua liberdade funcional. aliada a uma posição política progressivamente influente
mercê do seu contributo para a resistência de oposição ao Estado Novo na
linha de continuidade da sua politização afamada já secularmente, e, em consequência,
permanecendo internacionalmente quase isolado, cessando ainda a união estratégica da
chefia institucional com o Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceite, sem contudo
se restaurarem quaisquer dos outros ritos previamente existentes. Além disso, a
descolonização africana concluiu o processo de desaparecimento das lojas maçónicas
ultramarinas encetado pelo Estado Novo. já na década de 80, surgem em Portugal lojas de
Obediências estrangeiras marcadas por perspectivas iniciáticas distintas das da
Maçonaria portuguesa até aqui existente, cedo estabelecendo com ela relacionamentos
diplomáticos fraternos.
Trata-se, respectivamente, da Grande Loja Feminina
de França (surgida em Paris no inicio da década de 50 e congregando as lojas
exclusivamente femininas existentes desde o final do século XIX) instalada em Lisboa,
Porto e Figueira da Foz que originou em l997 a Obediência independente da Grande
loja Feminina de Portugal e da Ordem Maçónica Mista Internacional Direito Humano (Obediência fundada em Paris em 1893, funcionando
quase exclusivamente na totalidade dos graus do Rito Escocês Antigo e Aceite e admitindo
homens e mulheres em plena igualdade à iniciação maçónica), em Lisboa e Porto
tendo já existido em Lisboa em 1923 1926. Podemos igualmente referir a presença
de lojas maçónicas inglesas e norte-americanas em território português, reflectindo
interesses estratégicos de utilidade das respectivas comunidades étnico-nacionais de
cada pais aqui radicadas.
Por outro lado, um grupo de maçons no seio do
Grande Oriente procura ganhar sem sucesso as eleições para o grão- mestrado em 1983,
saindo inconformados da Obediência para fundar uma outra em Novembro do ano seguinte, a
Grande Loja de Portugal, com o objectivo de adquirir o reconhecimento regular de
funcionamento maçónico-institucional por parte das Obediências tradicionalistas já que
o Grande Oriente Lusitano (que entretanto abandonara obviamente a designação de Unido)
tinha relacionamentos diplomáticos apenas com as Obediências ditas liberais e mais
politizadas, como a Grande Loja Unida de Inglaterra e a Grande Loja Nacional Francesa.
Neste sentido,
e após longas negociações, os membros da Grande Loja de Portugal (entretanto registada
em cartório notarial em 23 de Abril de 1985, sob a personalidade jurídica da
associação cultural Centro de Estudos Humanisticos) obtém a admissão no seio da Grande
Loja Nacional Francesa, constituindo lojas distintas em território português,
posteriormente agrupadas numa Grande Loja do Distrito de Portugal, que, em 29 de Junho de
1991 adquire a independência maçónica como Grande Loja Regular de Portugal. sendo
subsequentemente reconhecida como instituição soberana pelas Obediências consideradas
regulares do mundo inteiro. Após poucos anos de consolidação estrutural, esta
Obediência enceta igualmente
providencias no sentido de estabelecer a continuidade
evolutiva de cada rito já trabalhado nos graus simbólicos. Assim, em 1993, em
coordenação com a Grande Loja Regular de Portugal, surge o Supremo Conselho para
Portugal dos Soberanos Grandes Inspectores Gerais do 33º
e ultimo grau do Rito Escocês Antigo e Aceite (administrando os graus superiores
do Rito Escocês Antigo e Aceite, sendo empossado pelo Supremo Conselho norte-americano de
Washington, DC Jurisdição Sul); em 1995, funda-se o Grande Priorado Independente
da Lusitânia (responsável pelos altos graus do Rito Escocês Rectificado, surgido em
França e na Alemanha no fim do século XVIII por transmissão de linhagens iniciáticas
maçónico-templárias alusivas a mitologia cavaleiresca, sendo criado pelo Grande
Priorado Independente de Helvécia); e, em 1996, o Supremo Grande Capitulo do Arco Real de
Portugal (gerindo os graus de aprofundamento iniciático do Rito de Iorque, sendo emanado
do Grande Capitulo do Arco Real Internacional, sediado nos Estados Unidos da América).
Finalmente, os acontecimentos mais recentes que marcam estruturalmente a evolução
histórica da Maçonaria portuguesa consistem na fundação, em 1994, de um Grupo
Administrativo Português da Liga Universal Franco-Maçónica (organização maçónica
internacional fundada no principio do século XX,
dedicada ao estreitamento de laços fraternos entre todos
os maçons do mundo inteiro em todas as áreas possíveis sendo fundamentalmente
constituída por membros de Obediências ditas liberais,
e na ocorrência. de uma grave cisão subversiva em 1996 no seio da Grande Loja
Regular de Portugal, que obrigou à alteração da sua designação júridico-associativa
pelas suas autoridades regularmente empossadas, com a junção da expressão distinta
Grande Loja Legal de Portugal.
Conclusão Chegando ao termo deste sucinto périplo histórico da evolução institucional
da Maçonaria portuguesa, constata-se a profunda superficialidade e escasso
desenvolvimento da informação transmitida face à exiguidade de espaço. Alem disso,
constata-se igualmente duas evidentes contradições: por um lado, o contraste evidente
entre a primitiva Maçonaria operativa e a sua sucessora especulativa e, por outro, o
paradoxo entre a teoria e a pratica, ou reja, a Doutrina simbólica da Construção
permanente e universal do Homem e do Cosmos, e uma instituição cristalizada no seu
próprio funcionamento administrativo como enclave subversivo de estratégias mundanas. No
entanto, a evidente acessibilidade da herança
arquitectonico-geometrica do património monumental da
Maçonaria operativa e a profícua diversidade da produção literario-documental da
Maçonaria especulativa remetem claramente no sentido intrínseco e subjacente da Demanda
de realização individual e colectiva através de uma via iniciática de evolução
espiritual diversificada, meditando fundamental mas não exclusivamente sobre o processo
cosmogonico de Criação genética da realidade fenomenica que integramos, muito além da
mera e superficial apologia violenta de valores políticos básicos de liberdades e
garantias civico-sociais e melhoria de condições existenciais da qualidade de vida
material e mental, inerente a todo e qualquer esforço humano em geral. Com efeito, na
actual época contemporânea de que somos coevos, a maçonaria portuguesa parece-nos
começar a exprimir tímida e paulatinamente, na sua ampla diversidade de organizações
externas, a manifestação efectiva daquele seu dinamismo hermético próprio (essência
da Ordem que ela mesma afirma representar), em detrimento da profanidade politizante de
que tem sido alvo e manifestado mesmo em conexão com a Tradição iniciática especifica
portuguesa do Quinto Império e da Idade do Espirito Santo da Redenção regeneradora da
Humanidade. Esperemos que ela doravante trabalhe apenas e de facto a Gloria do Grande Arquitecto do Universo, seu
Patrono e único Grande Mestre absoluto e autentico, e não mais a do mundo profano que se
lhe opõe e com o qual ela se tem ilicitamente envolvido em compromisso.
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Grão-mestres da Grande Loja Portuguesa Eleuterio
Francisco de Castelo Branco (interino) (1849 1850).
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